José Daniel Sádio

Quem é o José Daniel Sádio?

Em primeiro lugar, quero agradecer ao Jornal E e à sua equipa a oportunidade desta entrevista. O José Daniel Sádio é um comum cidadão estremocense. Um homem de família, católico, casado com a Joana há 22 anos, pai de dois filhos, a Daniela e o Eduardo, com 20 e 16 anos. É um apaixonado pelo que faz, quer enquanto professor de Educação Física, quer enquanto membro da paróquia, quer enquanto autarca.

O que o levou a avançar com esta candidatura?

Avançar com esta candidatura vem no seguimento daquilo que tem sido a minha atividade política em Estremoz. Estive três mandatos na Assembleia Municipal e, actualmente sou vereador da oposição. A decisão aparece depois de várias pessoas me terem incentivado a avançar e de ter o apoio total e inequívoco da minha família.
Mas acima de tudo, e principalmente, por ouvir os meus filhos e os meus alunos dizerem que gostavam de ter oportunidades de construir o seu futuro aqui e ver que não o conseguem, porque não existe uma estratégia para o desenvolvimento da nossa terra. Estremoz tem potencialidades que não estão aproveitadas.
Ver este executivo gastar mais dinheiro em desentendimentos e conflitos pessoais do que no apoio à fixação dos jovens e aos seus projetos. Ver este executivo a não dar voz aos jovens, o que significa matar o futuro da nossa terra e ver as pessoas a serem esquecidas e muitas vezes ostracizadas. E perceber também que a Democracia local está “doente”…sentir que não se respiram os “ideais de Abril”…
Foram este alguns dos pontos essenciais que levaram a que sentisse ser meu dever lutar pelo futuro de Estremoz. É possível fazer mais e melhor pela nossa terra e pelas suas gentes.

É candidato por um partido politico. Acha que isso pode condicionar mais a sua atuação do que um candidato por um movimento independente?

Claro que não! Muito pelo contrário. Veja no caso em concreto do Movimento Independente por Estremoz. Julgo que ainda ninguém ouviu um membro desse movimento criticar ou discordar de alguma coisa em relação ao Presidente do Município e poder continuar a fazer parte do movimento ou até do círculo de amigos do Presidente da Câmara. E a prova disso é o caso do anterior Presidente da Assembleia Municipal, Martinho Torrinha, que passou de “bestial a besta” num abrir e fechar de olhos.
Antes de ser socialista, sou cidadão e tenho espírito critico. Nunca escondi, nem precisei de o fazer, a minha ideologia partidária, e esta nunca me impediu de ter um pensamento livre e ideias próprias. Isto é válido também para toda a minha equipa. Esta é uma candidatura sob o símbolo do Partido Socialista, mas onde todos têm lugar, independentemente da sua convicção politica, religião, género ou condição social. Todos os que vierem por bem serão bem-vindos. Há princípios que são meus, que têm a ver com a minha formação. Continuo a achar que enriqueço os princípios socialistas com os meus valores pessoais, e é desta forma que penso contribuir para o engrandecimento e credibilidade da vida pública, sem que para isso tenha de me subjugar a algum líder de qualquer movimento ou partido político.
Em primeiro lugar, para mim, estará sempre Estremoz e os estremocenses.

Que balanço faz do mandato do MiETZ?

Penso que, acima de tudo, é um mandato marcado pela conflitualidade, pela “asfixia democrática” e pela prepotência do “eu quero, posso e mando”. Infelizmente, as memórias que nos ficam são os conflitos de Luís Mourinha com os órgãos de comunicação social, com as coletividades, com vereadores, com quem exprime uma opinião diferente da sua, com governantes, diretores regionais e ultimamente até os juízes e os tribunais são alvos de achincalhação. Luís Mourinha coloca-se na posição de vítima, fazendo passar a ideia “coitado de mim, tenho o mundo todo contra mim”, em vez de humildemente assumir os seus erros.

É um mandato negativo?

Foi um mandato em que se podia ter ido muito mais além, mas mais uma vez as pessoas foram esquecidas em detrimento de outras opções bastantes questionáveis. Luís Mourinha e o MiETZ já gastaram mais de trezentos mil euros, de dinheiro público, em processos e advogados, fruto desta forma de estar na vida. Ora, com trezentos mil euros, qualquer outro executivo poderia, por exemplo, ter apoiado os mais idosos na aquisição de medicamentos como fazem municípios como Vendas Novas, Portel, Monforte e outros tantos concelhos onde um grande número da população é envelhecida e vive com fracas possibilidades financeiras. Podia ter feito obras no pavilhão e no estádio municipal que tanto necessitam de intervenções de fundo. Podia ter oferecido os manuais escolares às crianças do concelho como fazem Alandroal, Monforte, Vendas Novas, entre outros concelhos. Podia ter ajudado os mais jovens no apoio à natalidade e à habitação como também fazem tantos outros concelhos. Podia ter aumentado o montante das ajudas aos clubes e coletividades.

Acha que o balanço do mandato de Luís Mourinha tem a ver com as opções políticas tomadas?

Sim claro. Possivelmente não sabe, mas Estremoz é um dos municípios do distrito de Évora que menor percentagem despende do seu orçamento em cultura e desporto, quase menos de metade da média do distrito de Évora. Estes dados são publicados pelo INE, pelo que podem ser consultados. Este executivo e Luís Mourinha fala numa grande aposta no Turismo, mas no orçamento atribui-lhe cento e dez euros. Quando saímos de Estremoz em passeio podemos, por exemplo, visitar Monsaraz ou Óbidos, e não o fazemos porque têm os seus Centros Históricos degradados e a cair, mas sim porque apostaram na valorização e os souberam recuperar e os fazer motivo de orgulho e visita. Como se percebe, este executivo e Luís Mourinha, “Podia” ter feito muita coisa, mas não fez! Optou sim, por gastar vários milhares de euros em processos judiciais.
Foi também mais um mandato em que este Presidente não conseguiu resolver os graves problemas de saneamento e de abastecimento de água no concelho. E já lã vão 20 anos de exercício de poder e 3 Quadros Comunitários de Apoio para a resolução destes problemas… Teremos que procurar soluções para esta situação inaceitável e incompreensível no mundo desenvolvido.

Quais as principais medidas da sua candidatura?

O nosso grande adversário é o atraso do concelho e a sua, cada vez mais acelerada, desertificação. É isso que queremos combater, focando-nos nas pessoas que cá vivem. É com elas e para elas que esta candidatura pretende trabalhar.
Temos, neste momento, identificadas várias medidas que queremos implementar e que fazem parte de uma estratégia e de um plano a curto e médio prazo que estamos a construir para o concelho.
Mas destaco, desde já, cinco medidas que colocarei em execução, assim que for eleito pelos estremocenses, Presidente de Câmara, como espero.
1º – É necessário criar e por em prática um Plano de Emergência para a Reabilitação Urbana no Centro Histórico de Estremoz. É obrigatório parar o elevado estado de degradação do nosso Centro Histórico criando uma parceria que envolva proprietários, inquilinos, entidades públicas e privadas para que seja possível a recuperação do nosso património. Temos hoje ruas inteiras praticamente sem ninguém, totalmente devolutas, e quarteirões inteiros em risco de ruir. Não é possível continuar a fechar os olhos a esta realidade e a adiar soluções como tem vindo a ser feito até aqui.

Quanto à segunda medida?

A segunda medida é o apoio medicamentoso aos mais idosos e com reformas mais baixas. O apoio aos mais idosos traduz-se, hoje, no almoço anual que a Câmara organiza, que não é um apoio é uma atividade da época natalícia e é mais do que merecida para as gentes da nossa terra. No entanto, entendo que merecem muito mais do que isso. São as raízes da nossa comunidade, ajudaram a construir os nossos valores e o que somos, e, por essa razão, temos a obrigação de olhar para eles com o maior respeito e carinho. O Cartão 65+ não pode ser um cartão “sem utilidade”, este deve permitir pagar parte do valor dos medicamentos que não são comparticipados e permitir descontos nos serviços municipais, como por exemplo nas tarifas da água. Em parceria com outras instituições no concelho, pode, por exemplo proporcionar descontos em clínicas, óticas, etc., entre outras medidas que permitam aos nossos idosos ficar com maior rendimento disponível e desta forma conseguirem uma melhor qualidade de vida. Não devemos esquecer que noutros tempos, os filhos trabalhavam para ajudar os pais e hoje existem avós que precisam ajudar filhos e netos, muitas vezes à custa de uma pequena reforma. Estas são medidas muito simples e mais do que justas para quem passou uma vida inteira a trabalhar e hoje vê a sociedade retribuir-lhe e valorizá-los tão pouco.

E relativamente à terceira medida que defende?

Defendemos Apoios aos jovens, na natalidade, na habitação, no emprego e no empreendedorismo. Pretendemos criar um conjunto de incentivos que apoiem a emancipação dos jovens, para que estes possam criar o seu projeto de vida, no nosso concelho. É fundamental que um jovem que aqui se queira fixar tenha os apoios necessários para o poder fazer e não ser obrigado a sair da sua terra porque esses apoios não existem.

Elencou três medidas, quer então sintetizar a quarta e quinta medida do seu programa?

Com a quarta medida pretendemos aumentar em pelo menos 40% o valor global dos apoios às coletividades e clubes. Como já referi atrás, dados do INE mostram que Estremoz é dos concelhos que, no distrito de Évora, menos investe do seu orçamento em desporto e cultura. Relativamente à quinta medida posso anunciar que é nossa intenção criar um Plano Estratégico para a Zona Industrial dos Arcos tornando-a num verdadeiro pólo de desenvolvimento do concelho. A Zona Industrial dos Arcos foi um investimento onde a Câmara já gastou seis milhões de euros, é urgente criar um plano que nos torne num concelho mais competitivo, é necessário não ficar sentado à espera que apareçam investidores, mas de forma pró-ativa procurar os investidores e convencê-los a investirem aqui. Necessitamos de criar um conjunto de incentivos que descriminem positivamente os investidores, para que sejamos opção válida e ponto forte para o empreendedorismo, quer dos jovens que residem no concelho, quer das instituições de ensino superior, de Évora, Portalegre ou até mesmo da Extremadura Espanhola. Fazer da Zona Industrial de Arcos um espaço dinâmico, competitivo e de excelência para a indústria, capaz de atrair investimento e criação de emprego, é, sem margem para dúvidas, um grande objetivo.

Há muitas críticas à forma como o Presidente da Câmara inaugurou a zona industrial dos Arcos?

É verdade e essas criticas têm toda a razão. Mas repare dois anos depois do pedido de empréstimo, Luís Mourinha inaugurou a Zona Industrial dos Arcos apresentando apenas um investidor. Investidor que tenho o prazer de conhecer pessoalmente e a quem quero aqui, publicamente, agradecer e felicitar por acreditar que vale a pena investir em Estremoz. Mas inaugurar uma Zona Industrial, decorridos 2 anos do início desta última fase do processo, e ter apenas um investidor, vão-me desculpar, mas é de quem não faz o trabalho de casa, e à boa maneira do atual Presidente da Câmara, nada planeou e agora em ano de eleições, como sempre nos habitou, aparece com uma empresa chinesa criada à pressa, em dezembro do ano passado, em Hong-Kong, e que vai trazer “charters” de investidores para a Zona Industrial dos Arcos. Aliás, nada disto é novo. Todos estarão lembrados da famosa fábrica de cerveja, com 300 postos de trabalho; da fábrica de motores recuperados e de outras tantas que Luís Mourinha sempre garantiu que vinham para Estremoz, em anteriores eleições autárquicas. Ou seja, “Palavra dada, palavra Não honrada” parece ser o lema do nosso Presidente de Câmara.
Luís Mourinha referiu no discurso de inauguração que o PS se tinha abstido na votação do empréstimo, de forma a não viabilizar a construção da zona industrial dos Arcos. Como justifica isso?
Infelizmente esses tristes discursos são uma marca de Luís Mourinha. E este foi só mais um exemplo disso. O Presidente da Câmara mentiu a quem ali estava presente, aos órgãos de comunicação social e a todos os estremocenses. E isso é muito grave.
Luís Mourinha conseguiu finalmente concluir uma promessa que demorou 20 anos a cumprir e que foi bandeira em todas as suas campanhas eleitorais. Mas, em vez de se congratular com esse feito, que devia ser importante para ele, e anunciar o plano estratégico para a Zona Industrial dos Arcos, que devia ter, mas não tem, resolveu desviar as atenções e tentar criar mais uma crispação com a oposição, mentindo e deturpando os factos para iludir as pessoas, como também é seu apanágio.

Explique então o que se passou?

O PS absteve-se na decisão de contratar o empréstimo para as obras da Zona Industrial dos Arcos porque isso iria esgotar a capacidade de endividamento do município nesse ano, pois não estavam garantidos Fundos Comunitários. Por esse facto e só esse entendemos na altura que não deveríamos inviabilizar esse empréstimo e abstivemo-nos. Qualquer estremocense que queira, pode verificar que falo verdade consultando a ata da Assembleia Municipal, de 26 de junho de 2015, disponível no site do município na internet.

Podemos depreender que Luís Mourinha terá faltado à verdade?

Quem quiser perceber quem mente e quem fala a verdade, pode consultar e ler as atas da Câmara e Assembleia Municipal, onde facilmente se percebe que o PS em todos os momentos sempre votou favoravelmente todas as outras decisões relativas à Zona Industrial dos Arcos. Só por maldade e má-fé pode, Luís Mourinha dizer que o PS quis inviabilizar a Zona Industrial dos Arcos com a abstenção ao pedido de empréstimo. A Assembleia Municipal é composta por trinta elementos. O Partido Socialista possui 11 elementos em 30. Qualquer pessoa que saiba as operações básicas da matemática consegue perceber que Luís Mourinha mentiu e que jamais o Partido Socialista tinha capacidade para inviabilizar este empréstimo ou qualquer outra medida do MiETZ na Assembleia Municipal. Mas chega de falar de Luís Mourinha, até porque este está a terminar o seu ciclo político… O importante é olhar para o futuro e para o desenvolvimento do concelho.

O PS já apresentou os 4 primeiros candidatos à Câmara Municipal, a cabeça de lista à Assembleia Municipal e à Assembleia da União de Freguesias de Estremoz. Quais serão os próximos passos?

Estamos neste momento a construir as nossas listas, a falar com as pessoas, as coletividades, os empresários, etc, para tentarmos perceber, no terreno, quais são as reais dificuldades com que se deparam, as necessidades e as aspirações. Pretendemos recolher contributos para que o nosso programa esteja, o mais possível, adequado à realidade daqueles que diariamente desenvolvem as suas atividades no concelho de Estremoz. Temos uma equipa de pessoas de diferentes áreas a trabalhar na elaboração do programa e na inclusão desses contributos. Na devida altura apresentaremos os cabeças de lista às restantes freguesias e o contrato que o Partido Socialista pretende celebrar com os estremocenses.

Em sua opinião qual é o principal problema do concelho?

O principal problema do concelho de Estremoz é a sua desertificação, fruto da grave e acentuada perda de população e da incapacidade de fixar e atrair gente nova. Quando ouço o Presidente da Câmara dizer que agora vamos tentar que alguns jovens se fixem aqui, fico assustado. E fico assustado, porque este é o discurso de quem nada fez para resolver o tem noção da gravidade do problema que existe na realidade. Só para que possamos perceber um pouco melhor: mesmo que a partir de hoje não deixássemos mais nenhum jovem abandonar o concelho, mantendo a taxa de natalidade, Estremoz continuaria a perder população porque a faixa etária mais velha é superior aos jovens que existem e possam vir a nascer. Estremoz tem dos índices de envelhecimento da população mais elevados do distrito de Évora, tendo atrás, apenas os concelhos de Alandroal e Mora. No entanto, não existe e não se conhece ao MiETZ nenhuma preocupação, medida ou estratégia para inverter esta situação.

E os jovens vão ter uma atenção especial no seu programa?

Indiscutivelmente sim. Como já referi, os jovens não têm apoios para aqui ficarem e iniciarem os seus projetos de vida, não existem, por exemplo, ninhos de empresas para os empreendedores e não existe uma estratégia concertada de atração de investimento e criação de emprego. A verdade é que não tem sido feito nada para podermos fazer face a este problema. É uma situação que se tem arrastado e agravado ao longo dos anos e tem aumentado o grau de desertificação do nosso concelho. Se nada for feito, daqui a uns anos, Estremoz pode ser apenas um local de visita, sem população jovem, tendo de transformar as nossas escolas em lares para os idosos. Por isso é fundamental fazer mais do que só fixar os nossos jovens. Temos de ter a capacidade de atrair e apoiar outros jovens, oriundos de outros concelhos e das várias instituições de ensino superior.

Qual a sua opinião em relação à “geringonça”?

A “geringonça” é a prova de que o diálogo, o entendimento e o trabalho conjunto, apesar de diferentes opiniões, é possível, favorece e beneficia a vida das pessoas. As pessoas sentem que o país está melhor e viram ser-lhes devolvidos rendimentos. É exatamente o contrário daquilo que temos em Estremoz, onde a força política que está no poder, o MiETZ, nunca aceitou nenhuma das propostas da oposição, e foram várias, nunca proporcionou o debate por forma a recolher outras opiniões e integrá-las nas suas propostas. Pior, hostiliza, e até processa, quem tem opiniões diferentes das suas e vive mais preocupado com guerrinhas pessoais e em criar crispações com as outras forças políticas, que em tentar encontrar consensos que possam beneficiar a população e o concelho de Estremoz.

Por que razão devem os estremocenses votar em si?

Com o máximo respeito por todas as candidaturas, parece-me que a questão que se coloca em Estremoz é muito simples e clara: Ou queremos continuar no caminho da crispação, dos processos, da falta de respeito, da falta de estratégia e de visão.., ou queremos mudar o rumo do concelho e construir um futuro com todos. A única candidatura que pode protagonizar essa mudança é a do Partido Socialista. Penso que é claro, pelo compromisso que assumo, e explicito nas medidas a implementar, a mudança de políticas e de atitudes que pretendo protagonizar.
Do José Daniel Sádio, as pessoas conhecem e sabem que é uma pessoa séria, que se preocupa com o próximo e com o bem comum. Uma pessoa que honra os seus compromissos e de quem podem esperar toda a dedicação, trabalho e, principalmente, a concretização dos compromissos que assume publicamente.